O que eu queria dizer

Literatura, cultura, jornalismo e internet

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Poéticas corporativas


Do lado de dentro

Entre invites e briefings,

metas e meetings,

layouts, artes-finais e café,

o sussurro de uma certeza

lhe soprou dentro do peito.

Certeza de que era

do lado de lá da janela

do departamento de marketing

que a vida realmente acontecia.


Da falta de inspiração 

Como ginasta ela tenta

dar pulo de duplo twist carpado  

saltar o buraco-negro de inspiração

que deixam as reuniões de trabalho,

os almoços de bandejão

e os cafés de máquina.

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eu ontem tive a impressão
que deus quis falar comigo
não lhe dei ouvidos

quem sou eu para falar com deus?
ele que cuide dos seus assuntos
eu cuido dos meus

paulo leminski (“toda poesia”, p. 202)

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Philip Roth completa 80 anos nesta terça-feira (19 de março) e, neste mês, o escritor norte-americano é tema de exposições, publicações especiais e eventos, além de um documentário da PBS de título “Unmasked”. Nada disso, porém, parece revelar verdadeiramente esse autor que sempre se coloca de forma tímida e avessa aos holofotes. De tudo o que se diz a seu respeito, um de seus depoimentos reunidos no documentário é o mais significativo, porque se opõe a uma definição que tanto estigmatiza o escritor: “Eu não adoro me ver descrito como um escritor judeu-americano. Eu não escrevo em judaico. Eu escrevo em americano”.
Ganhador do Prêmio Pulitzer e do National Book Award, Roth publicou mais de 30 livros, muitos deles debruçados sobre questões relacionadas ao judaísmo, mas é preciso olhar além disso para compreender por que o público, a crítica e outros escritores o consideram hoje o maior autor norte-americano vivo.
Se, por um lado, o judaísmo na obra de Roth tem uma função quase terapêutica, pela qual ele dá vazão aos próprios conflitos; por outro, se torna uma espécie de caminho pelo qual se aprofunda em problemas universais. Por exemplo, quando descreve, em “O Avesso da Vida”, a busca de Henry Zuckerman por uma identidade judaica, fala principalmente da angústia de um homem americano, que tenta encontrar a própria essência em meio às suas raízes e às influências de um país multicultural.
Já em “O Complexo de Portnoy”, quando Roth trata da libertação sexual de um homem obcecado pela imagem da mãe e oprimido pela religião, aborda também os tormentos a que qualquer homem moderno é exposto, entre a pressão para desfrutar do sexo livre até as pesadas expectativas sociais e morais.
Assim, o personagem fundamental de Roth, tão replicado em suas obras, é o homem universal, que tenta sobreviver e encontrar felicidade apesar da frustração profissional, do desejo, dos fetiches, da pressão do casamento, das derrotas do dia a dia e das seduções do adultério.
Ele vive, ainda, em um contexto político muito familiar, pontuado pelos conflitos armados recentes, pela violência e pelo terrorismo, o que só aumenta a identificação de quem lê essas narrativas. A cereja desse bolo é o sarcasmo, que faz com que Roth se permita a liberdade de rir de seus personagens mesmo em seus momentos mais dramáticos, estendendo prontamente essa liberdade ao leitor. É o que torna a sua obra tão grandiosa, marcante e imortal.
Texto publicado no portal Revista Bula em 19 de março. Acesse aqui.

Philip Roth completa 80 anos nesta terça-feira (19 de março) e, neste mês, o escritor norte-americano é tema de exposições, publicações especiais e eventos, além de um documentário da PBS de título “Unmasked”. Nada disso, porém, parece revelar verdadeiramente esse autor que sempre se coloca de forma tímida e avessa aos holofotes. De tudo o que se diz a seu respeito, um de seus depoimentos reunidos no documentário é o mais significativo, porque se opõe a uma definição que tanto estigmatiza o escritor: “Eu não adoro me ver descrito como um escritor judeu-americano. Eu não escrevo em judaico. Eu escrevo em americano”.

Ganhador do Prêmio Pulitzer e do National Book Award, Roth publicou mais de 30 livros, muitos deles debruçados sobre questões relacionadas ao judaísmo, mas é preciso olhar além disso para compreender por que o público, a crítica e outros escritores o consideram hoje o maior autor norte-americano vivo.

Se, por um lado, o judaísmo na obra de Roth tem uma função quase terapêutica, pela qual ele dá vazão aos próprios conflitos; por outro, se torna uma espécie de caminho pelo qual se aprofunda em problemas universais. Por exemplo, quando descreve, em “O Avesso da Vida”, a busca de Henry Zuckerman por uma identidade judaica, fala principalmente da angústia de um homem americano, que tenta encontrar a própria essência em meio às suas raízes e às influências de um país multicultural.

Já em “O Complexo de Portnoy”, quando Roth trata da libertação sexual de um homem obcecado pela imagem da mãe e oprimido pela religião, aborda também os tormentos a que qualquer homem moderno é exposto, entre a pressão para desfrutar do sexo livre até as pesadas expectativas sociais e morais.

Assim, o personagem fundamental de Roth, tão replicado em suas obras, é o homem universal, que tenta sobreviver e encontrar felicidade apesar da frustração profissional, do desejo, dos fetiches, da pressão do casamento, das derrotas do dia a dia e das seduções do adultério.

Ele vive, ainda, em um contexto político muito familiar, pontuado pelos conflitos armados recentes, pela violência e pelo terrorismo, o que só aumenta a identificação de quem lê essas narrativas. A cereja desse bolo é o sarcasmo, que faz com que Roth se permita a liberdade de rir de seus personagens mesmo em seus momentos mais dramáticos, estendendo prontamente essa liberdade ao leitor. É o que torna a sua obra tão grandiosa, marcante e imortal.

Texto publicado no portal Revista Bula em 19 de março. Acesse aqui.

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O lado nova-iorquino de Federico García Lorca

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Federico García Lorca nasceu em uma cidadezinha espanhola chamada Fuente Vaqueros. Fica perto de Granada, que é famosa pelos seus belíssimos palácios mouros e é quase como um tesouro para o povo da Andalucía. Eles gostam de contar que esse encantamento é eterno, e que os árabes, que dominaram Granada por alguns séculos, tinham verdadeiro xodó com o lugar. A lenda ainda diz que, depois de perder a guerra para os católicos, o rei mouro sofreu para deixar a cidade, olhando de longe toda aquela beleza. Sua mãe, que vinha atrás, teria arrematado: “Chora como mulher o que não soubeste defender como homem”. Sentiu o drama?

Fico aqui imaginando o que foi para García Lorca crescer numa cidade tão tradicional e ao mesmo tempo tão encantada como essa. Penso que o que salvou o poeta foi sua ambivalência. Se, por um lado, sua multiplicidade não cabia em Andalucía, era seu encanto pelo campo, sua paixão pelos animais e pela vida rural que sempre o faziam voltar. E mais: foi essa origem que deu a García Lorca o talento para enxergar, onde quer que estivesse, a cara mais verdadeira, mais crua de uma cidade.

Foi assim com Nova York, onde Lorca viveu nos anos 1929 e 1930. Ele registrou sua experiência no livro “Poeta em Nova York” e se inscreveu para sempre na história da cidade. Tanto é que também não é esquecido por ela: a partir do mês que vem, a metrópole recebe o evento Lorca in NY: A Celebration. Vão ser leituras, apresentação de poemas, exposições e um show da cantora Patti Smith. O título “Poeta em Nova York” ainda vai ganhar uma nova edição. É mais uma coroação para a ambivalência de Lorca, tão rural, tão andaluz e tão nova-iorquino.

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Se é pela fama, não seja. Se é pelo dinheiro, não seja. Se é pelas mulheres, não seja. Se tem que ler antes para alguém, não seja. Se tem que escrever, reescrever e escrever de novo, não seja. Se você fica olhando para a tela em busca de palavras, não seja. Se não sai explodindo de dentro de você, não seja. Por favor, não seja se você é como tantos escritores — ou pessoas que se autoproclamam escritoras —, chatos, pretensiosos, consumidos pela vaidade. 

E, antes de qualquer coisa, garanta ter prestado atenção em cada palavra de “So You Want to Be a Writer?”, narrado por Charles Bukowski, neste vídeo. Quem sabe não te enche de inspiração? E, se não acontecer, por favor, não seja.

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Escrever

Sempre tem aqueles momentos que martelam na nossa memória. No meu caso, todos eles me fazem sentir vergonha de mim mesma.

Um deles foi quando eu fiz uma entrevista para trabalhar em um grande jornal. Eu queria a vaga, mas sabia que não queria um monte de coisas que viriam com esse trabalho. E sabia também que a entrevistadora não podia saber disso.

Mas uma das primeiras perguntas dela acertou minha fraqueza em cheio: “Mas por que você quer trabalhar aqui?”. Me preparei para encarnar uma dessas pessoas obcecadas por “furos”, “leads”, pela “notícia”, mas me vi soltando um: “Porque eu amo escrever”.

Claro que não consegui a vaga. E por muito tempo tive vergonha de ter dito isso. Como alguém pode amar “escrever”? Escrever, esse ato mecânico. Escrever o quê? Escrever qualquer coisa? Anotar qualquer combinação de letras em um pedaço de papel? Sem sentido e sem propósito?

Até que um dia, num livro do André Gorz, eu li: “Escrevia para conjurar a angústia. Não importava o quê; eu era um escrevedor”. E foi aí que eu soube.

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Atuação no jornal Folha de S.Paulo - Folhinha

Entre 2010 e 2011, fui repórter do caderno Folhinha, o suplemento infantil do jornal Folha de S.Paulo. Lá, cobri assuntos diversos, cuidei da página do caderno e do Twitter também.

Um dos trabalhos de maior destaque foi a cobertura do terremoto que assolou o Japão em março de 2011. Para a matéria, entrei em contato com crianças brasileiras e japonesas que residiam no país. Também participei da edição especial em homenagem ao aniversário da obra “Reinações de Narizinho”, de Monteiro Lobato, que ganhou exposição.

Ainda atuei como editora-assistente interina do caderno por cerca de cinco meses no total.

Leia algumas matérias abaixo:

Neto do Pelé fica famoso com golaço que caiu na internet

Conheça os livros que marcaram a infância de escritores da Bienal do Livro

Crianças falam da tragédia na escola do Rio de Janeiro

Meninos enfrentam multidões para curtir grandes shows de rock

Crianças brincam em rede social que é feita para jovens e adultos

Entenda o terremoto e o tsunami que atingiram o Japão

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Atuação no jornal Folha de S.Paulo - Cultura

Em maio de 2009, ingressei no jornal Folha de S.Paulo. Lá, cobri assuntos culturais para o Guia da Folha Online. Fui responsável pela cobertura de Cinema, Teatro, Crianças e Passeios por cerca de um ano — o que incluiu a cobertura de uma Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.

Após esse período, fui para a editoria de Turismo, em que passei pelo período de reformulação da Folha.com. Por fim, passei pela Folhinha, em que cobria assuntos diversos para as plataformas online e impressa, além de cuidar do Twitter do caderno.

Abaixo, algumas matérias de destaque.

CULTURA:

Newton Moreno se firma como dramaturgo por sorte e risco

Guia avalia esquema para fumantes em quatro casas noturnas paulistanas

“A gente vai fazer o que o povo quer”, diz Rosi Campos sobre nova peça

Julia Lemmertz estreia “Maria Stuart” em SP e diz ser atriz de teatro

Thiago Fragoso passa por preparação intensa para três horas de peça

Vladimir Brichta estreia “Hamelin” e diz que teatro afasta as pessoas

Médica vem de Curitiba apenas para acompanhar a Mostra

Felipe Hirsch e mais três cineastas indicam o que ver na Mostra

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